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Sem quarto ou cama, idoso obrigado a trabalhar 24h por dia no Paraná improvisou dormitório em cabine de caminhão
Idoso obrigado a trabalhar 24h por dia, dormir em caminhão e correr para conseguir comida
O idoso de 69 anos de idade, que foi resgatado de uma situação aná...
01/06/2026 03:00
Sem quarto ou cama, idoso obrigado a trabalhar 24h por dia no Paraná improvisou dormitório em cabine de caminhão (Foto: Reprodução)
Idoso obrigado a trabalhar 24h por dia, dormir em caminhão e correr para conseguir comida
O idoso de 69 anos de idade, que foi resgatado de uma situação análoga à escravidão, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, não possuía cama ou quarto. Segundo Antonio Luiz Fabris Júnior, auditor-fiscal do Trabalho, o homem improvisou um dormitório em uma cabine de caminhão.
A Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), e a Polícia Federal (PF) realizaram o flagrante da situação e o resgate da vítima na quarta-feira (27). O nome da empresa não foi divulgado.
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De acordo com os órgãos, o homem era obrigado a trabalhar 24 horas por dia como vigilante em uma empresa de venda e locações de carros e máquinas. Ele não possuía contrato de trabalho ou carteira assinada.
Para acessar a cabine do caminhão em que dormia, a vítima ainda precisava subir uma escada elevada, mesmo com limitações de locomoção e dificuldade para caminhar em razão da idade e de diversas comorbidades.
Idoso passou quase um ano em situação análoga à escravidão antes de ser resgatado
Idoso obrigado a trabalhar 24h por dia, dormir em caminhão e correr para conseguir comida é resgatado no PR
Auditoria-Fiscal do Trabalho (SIT/MTE)
O local não tinha água encanada disponível. Para comprar alimento, o idoso saía correndo até um mercado próximo, porque tinha a responsabilidade de manter vigilância total na empresa, segundo os auditores-fiscais do trabalho da SIT/MTE.
"Tendo em vista tal degradância, caracterizou-se claramente o trabalho análogo à escravidão", disse Antonio Luiz Fabris Júnior.
O homem é natural de Tibagi e morava em Ponta Grossa há alguns anos, mas vivia na empresa desde junho de 2025. Ele era remunerado com R$ 400 por semana.
Após o resgate, a rede de assistência social foi acionada para atendimento imediato da vítima. Também foram disponibilizados medicamentos, assistência médica e acompanhamento social ao trabalhador resgatado. Saiba mais abaixo.
Conforme a PF, a empresa e os responsáveis por ela serão investigados. Eles podem responder pelo crime de redução à condição análoga à de escravo. A pena pode chegar a oito anos de prisão, além de multa e outras sanções trabalhistas.
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Irregularidades identificadas
Idoso obrigado a trabalhar 24h por dia, dormir em caminhão e correr para conseguir comida é resgatado no PR
Auditoria-Fiscal do Trabalho (SIT/MTE)
A Polícia Federal afirma que o idoso estava vivendo em um ambiente considerado insalubre e incompatível com qualquer condição digna de trabalho e sobrevivência.
Entre os problemas apontados, estão a jornada de trabalho considerada exaustiva e as condições do local que era disponibilizado ao idoso. Veja, abaixo, alguns detalhes revelados pelos auditores-fiscais do trabalho:
o trabalhador permanecia permanentemente à disposição para vigilância do local, sem delimitação clara de jornada ou períodos adequados de descanso;
devido à falta de tempo delimitada ao descanso, ele saía muito rápido do posto de trabalho para ir comprar algum alimento em um mercado próximo, e sempre ia correndo;
o idoso dormia na cabine de um caminhão (que está à venda na empresa) em condições precárias, bastante suja e com apenas algumas cobertas finas, mesmo diante das baixas temperaturas registradas durante as madrugadas na região;
o acesso à cabine era extremamente difícil para sua condição física; o caminhão possuía escada elevada para acesso à cabine e a vítima apresentava limitações de locomoção e dificuldade para caminhar em razão da idade e de diversas comorbidades;
embora houvesse um banheiro instalado na propriedade, não existia fornecimento de água encanada ou potável no local. Para conseguir água, o trabalhador precisava caminhar por estrada de terra até uma empresa vizinha, localizada a cerca de 100 metros do imóvel, carregando galões manualmente;
ele tomava banho na empresa vizinha, esporadicamente e por solidariedade dos vizinhos.
ele não tinha espaço e condições para organizar as os próprios pertences e possuía uma cozinha bastante precária, com apenas um fogão de duas bocas.
Idoso se mudou para Curitiba
Ao g1, a Prefeitura de Ponta Grossa explicou que, após ser acionada, a equipe de assistência social do Município realizou atendimento ao idoso, prestando orientações sobre seus direitos e sobre as condições verificadas, que caracterizam situação de vulnerabilidade, risco social e violação de direitos.
Durante o atendimento, foram apresentadas ao idoso alternativas de proteção e acolhimento — incluindo encaminhamento para Casa de Acolhida, Albergue e Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) —, mas ele recusou as opções, exercendo seu direito de autodeterminação e livre escolha, o que foi devidamente registrado em declaração.
"Conforme informações repassadas pela equipe do Ministério do Trabalho, o empregador custeou hospedagem em hotel até o dia 1º de junho de 2026, período destinado à quitação dos valores devidos pela rescisão contratual. Após essa data, o próprio idoso manifestou a intenção de se deslocar para Curitiba, relatando a possibilidade de permanecer naquela localidade".
Como denunciar
A situação do idoso foi descoberta após o recebimento de denúncias.
Casos de trabalho análogo à escravidão podem ser denunciados de forma anônima e segura por meio do Sistema Ipê, plataforma gerenciada pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT).
Acesse neste link
A ferramenta foi desenvolvida em parceria entre a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Inspeção do Trabalho brasileira e integra as ações permanentes da Auditoria-Fiscal do Trabalho no combate ao trabalho escravo contemporâneo.
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